Dog Day Afternoon (1975)

“Everybody wants to kill everybody.”

Dog Day Afternoon abre com uma sequência de imagens engenhosa da cidade de Nova York, demonstrando de maneira categórica a desigualdade social americana do começo dos anos 70, apontando problemas que se arrastaram para os dias de hoje que culminaram numa absurda gentrificação da cidade mais romantizada do mundo ocidental, tudo isso ao som da faixa Amoreena de Elton John, que por si só é uma canção fenomenal e acompanha bem a montagem.

O filme é tenso e claustrofóbico o tempo inteiro, o que é especialidade do Lumet, que, é gênio em dirigir situações de desamparo, provocando a sensação angustiante que deve ser estar nesse tipo de situação. O longa acompanha dois assaltantes ao banco, Sonny, atuado por Al Pacino (o qual dispensa comentários), que toma liderança no assalto e fica responsavel por realizar negociações com as autoridades, e Sal, que é tímido e até mesmo apático aos reféns, sendo o que aparenta ter mais coragem de mata-los apesar de parecer também desesperado a todo momento numa atuação brilhante do finado John Cazale.

Sonny é um personagem impetuoso, que conquista a empatia da multidão assistindo ao assalto ao gritar contra eventos de repressão policial da época (Nesse caso a rebelião que ocorreu na prisão de Attica), e também da comunidade queer da cidade na revelação de que ele era casado com uma transgênero, que é o motivo do assalto ao banco em primeiro lugar. Tema que é tratado de forma muito progressiva, representando a transgeneridade e a homossexualidade em sob uma perspectiva muito respeitosa pra época.

O personagem do Cazale já não é muito explorado no filme, o que é uma perca muito grande considerando a história de sua pessoa real, decidiu assaltar o banco aos 18 anos pra tirar suas duas irmãs mais novas do Foster Care (programa social de auxilio à crianças que não possuem um lar estável), considerando que eles tinham uma mãe alcoólatra e negligente. Também supostamente contou pra uma das reféns que o motivo de preferir morrer à voltar para a prisão foi um abuso sexual que sofreu enquanto estava preso.

Em suma o filme captura com excelência as relações materiais e identitárias de uma Nova York dos anos 70, a imparcialidade da mídia burguesa, que transforma o assalto num espetáculo em tempo real e principalmente a volubilidade da opinião popular, que é praticamente um personagem do filme, unindo-se e dividindo-se a cada revelação sobre o Sonny.

Veredito
8/10

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